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contar a história
dessas marcas a ferro
ideogramas a fogo
tantas inflamações
na alma
mais de cinco
os oceanos atravessados
a nado costas
por medo
de que o céu desabasse
e tempo não houvesse
para contrições
sem falar no estigma
insistindo em afirmar
a gravidade
da lágrima
agora essas cicatrizes
brasões, relíquias
ansitias vitalícias
senha para o que der
se vier
na medula de toda amizade
vácuos despreenchem lacunas
na história de toda amizade
o tempo
tensinona laços
e distende nós
toda amizade se depura
no sangue frio
do desbotamento
onde o (des)tino
é monobrista
a eternidade dos sentimentos
é seu permanente desfazer-se
cravo unhas
no que sobrou
de tua liberdade
ímpar perfeição
minha mão
em concha
molde
de teu alto
relevo
uma alegria encomendada
por uma arquibancada deserta
banaliza o inesperado
entre um vaso de porcelana senil
que colhe as lágrimas do leão
e os destroços
de sua própria assombração
jaz um ex-palhaço
há máscaras dilatando
a fiação do tempo
na dança dos trapézios
decadentes.
se não soubesse as luzes
se não cogitasse esperanças
se mantivesse a amargura
se só gozasse discrepância
o que seria de mim, deus meu,
gota-dágua no espaço
núcleo- duro do desengano
matriz do descompasso?